Para além do simples constrangimento, textos gerados por inteligência artificial entram na mira de pesquisadores e podem abalar até relacionamentos.
Boa segunda-feira, pessoal!
Por José Brito, jornalista e fundador da Pupa Educação Digital.
“A questão não é mais usar ou não usar. Todo mundo está usando. E sempre esteve usando. O corretor ortográfico do Word, por exemplo, é um tipo de IA, o que não significa que a gente não deva aprender sobre ortografia”
Depoimento de Raquel Freitag, professora de sociolinguística da Universidade Federal do Sergipe, em reportagem de Luiz Fernando Toledo para BBC News Brasil, em Londres.

Imagem gerada por IA com Gemini
Oi gente. Nesta semana o Radar Pupa destaca a reportagem de Luiz Fernando Toledo, meu colega, da BBC News Brasil. Radicado em Londres e sempre perto das principais discussões sobre tecnologia e educação, Toledo divide comigo a responsabilidade de fazer parte da diretoria da Associação dos Jornalistas de Educação, a JEDUCA. Neste ano, teremos a missão de organizar algumas das mesas que irão debater agendas relacionadas aos aprendizados com o uso de inteligência artificial em práticas educacionais e novos modelos de jornalismo digital. O próximo Congresso Internacional da JEDUCA será realizado em São Paulo, nos dias 25 e 26 de agosto de 2025.
Diante deste cenário em que o uso de IAs vai, pouco a pouco, ficando cada vez mais rotineiro entre diferentes segmentos sociais, torna-se fundamental entender o que, de fato, é um pensamento genuíno, estruturado e definido por um autor ou o que foi feito por um modelo de linguagem com uma produção de uma obra literária artificialmente imaculada. Acontece que na hora de corrigir textos fica evidente a necessidade de aprimoramento com uma tecnologia que nos parece distante, anteriormente chamada de “revisor ortográfico”, e ainda disponível em aplicativos do século passado, super úteis, como o Microsoft Word, mas que disputam atenção dia-a-dia com aplicações mais recentes com a IA queridinha desta geração LLM.
A reportagem mergulha em situações rotineiras como a de um professor apaixonado que resolveu presentear a namorada com uma joia e entregou a tarefa de escrever o cartão para o Chat GPT. Bingo! Climão no jantar, um cafezinho e a conta. Não por menos, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, em estudo feito com cerca de mil alunos do Ensino Médio, constataram desempenho melhor de estudantes que utilizaram IA para resolver problemas matemáticos. No entanto, houve queda de rendimento nas provas realizadas sem IA.
E este é o ponto aqui. O que queremos avaliar a partir de agora? Quais processos são importantes ao verificar uso de diferentes modelos de linguagem para execução de tarefas que demandam criatividade e/ou pensamento analítico? O mais importante é a resposta, em si, ou o caminho investigativo que de toda a conversa com um chat? Quem lembra dos recentes debates no Linkedin sobre o uso de “travessão”, “ponto e vírgula” e o famoso “não apenas, mas”, que já entregam claramente se um texto foi escrito pelos assistentes virtuais. Ora, o desafio, então, não é mais saber simplesmente se o conteúdo foi ou não gerado por IA, mas se as pessoas que a utilizam estão aprendendo alguma coisa, de fato, com o processo reflexivo das ferramentas digitais disponíveis no mercado ou se estão buscando meramente respostas pré-definidas.
» Link [BBC News Brasil]

#2 Citações falsas em publicação de livro abrem debate sobre sistemas que terceirizam responsabilidade científica
» Link [Portal Terra]

#3 Currículo com IA e as apostas de modelos de ensino com uma Geração LLM. Saiba o que diz relatório da Microsoft sobre o tema
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» Link [Youtube]

#5 Em evento paralelo à cúpula dos BRICS, prefeitura do Rio anuncia cidade como Hub de Data Centers na América Latina
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DICA DE LEITURA »
Ontem estava assistindo ao GloboNews Internacional, programa com Guga Chacra e Marcelo Lins, sobre a cobertura do XVII Encontro da Cúpula dos BRICS, que acontece no Rio de Janeiro entre 6 e 7 de julho. Lembrei da obra de Chris Miller, professor de história internacional na Escola de Direito e Diplomacia da Universidade de Tufts e colunista do The New York Times e The Wall Street Journal, que li no final do ano passado. Pra quem gosta daqueles relatos com muito suspense, espionagem e, claro, uma boa dose de tensão política pela conquista da tecnologia do nosso tempo presente, essa é a recomendação da semana. A obra “A Guerra dos Chips, a batalha pela tecnologia que move o mundo” é daquelas que prendem a respiração do início ao fim. Sabe aquela série que você gosta de assistir e precisa dar um jeito de “maratonar” no final de semana? Pois é: é sobre isso. Neste mundão que acorda com uma bomba explodindo no Oriente Médio e vai dormir com uma nova tarifa no preço do feijão, dá pra ter uma ideia direitinho de como este jogo é jogado desde os anos 1960 e como a definição de status de super potência mundial se configura por meio da busca pela inovação, mesmo que seja só pra dizer quem está na frente da corrida armamentista, tecnológica ou ainda daquilo que sequer foi inventado, mas trata-se de algo muito útil para a fabricação de mísseis ou tocadores de música.
» “A Guerra dos chips, a batalha pela tecnologia que move o mundo”
Autor: Chris Miller
Editora: Globo Livro


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