Evento em Brasília organizado por MEC e UNESCO reforça papel das pessoas no centro do processo educacional, mesmo com avanço rápido de tecnologias.
Boa segunda-feira e boa semana, pessoal!
Por José Brito, jornalista e fundador da Pupa Educação Digital.
“A inteligência não está nos algoritmos. Está na capacidade de reunir vozes, criar fricção e cuidar do que realmente importa: as pessoas. E mais: precisamos formar redes que sejam capazes de recusar, adaptar, interrogar tecnologias. Sem isso, IA vira imposição… e e não necessariamente alguém que nos pense.”
Giselle Santos, Consultora Pedagógica de Inovação e Tecnologia | LinkedIn TOP Voice

Imagem gerada por IA com Gemini
Conheço Giselle Santos de outros carnavais e já fazia um tempo que queria trazer uma de suas contribuições ao Radar Pupa. Pois bem. Eis que chegou a hora! E não poderia haver timming melhor. Explico. Gi, como gosta de ser chamada, é uma consultora pedagógica em inovação e tecnologia que, frequentemente, escreve sobre os aprendizados com IA na Educação em diferentes canais e plataformas digitais com colegas de mercado, da academia e de tantas outras rodadas de bate-papo regadas de afeto em que estamos juntos. Agora na Pupa tenho tido a oportunidade de monitorar mais de perto esse tal de “freio de arrumação social no que diz respeito às integrações tecnológicas com IA”. Posso dizer, sim, faço isso em defesa de causa própria e propósito de vida, afinal, nada mais comum na jornada excêntrica de um jornalista, que também é pai, educador midiático, e que carrega no DNA doses extras de empreendedorismo e articulação social de olho no próximo salto da tecnologia, da educação e do futuro do trabalho.
Diante deste cenário super dinâmico, numa destas freadas, me deparei com a frase da semana, pinçada de um evento organizado pelo MEC e pela UNESCO em Brasília nos últimos dias, o “Seminário IA na Educação Básica”, no qual Gi trouxe uma potente reflexão, que surgiu em meio à variedade de sucos com frutas tipicamente brasileiras servidos nos intervalos da programação. Da manga ao tamarindo. Da graviola ao caju. Do perfil diverso da sociedade brasileira ela nos trouxe uma pitada de contexto ao desenvolvimento tecnológico a partir de 5 (P)s diretamente relacionados aos compromissos públicos com a integração da IA aos direitos de crianças e adolescentes deste nosso Brasilzão: provisão, proteção, participação, pedagogia e pertencimento.
Em um momento em que a maturidade da discussão nos faz repensar a cada dia decisões relacionadas ao aprendizado da vida com ferramentas e aplicações com IA, nada melhor do que repetir em voz alta estas cinco palavrinhas da língua do (P) e tentar imaginar o papel de cada uma delas nas nossas rotinas aceleradas pela angústia da corrida tecnológica. Não basta saber que existe, é preciso universalizar a tecnologia. Não basta saber usar, é preciso conhecer os riscos para além das oportunidades oferecidas. Não basta solicitar um comando e buscar resultados, é preciso ser ouvido para qualificar a conversa. Não basta entrar na trend ou na modinha com IA, é preciso saber que ela, quando bem usada, pode educar e transformar vidas. Por fim, não basta navegar somente nas aplicações dominantes com língua inglesa, é preciso produzir conteúdo nacional para as IAs cada vez mais conhecerem conteúdo com a variedade de sotaques brazucas dos nossos mais diversos povos originários.
Ah, vale lembrar que, segundo a UNESCO, até 2022, apenas 15 países haviam incluído objetivos de aprendizagem de IA em seus currículos nacionais. Neste evento na capital federal também foram lançados dois documentos super estratégicos, que podem facilitar esta jornada de educadores e estudantes, que estão imersos neste campo de pesquisa e disputa sobre IA; campo que precisa, sim, de um suco geladinho de contexto de Brasil para ser serviço nas próximas rodadas sobre o assunto com as comunidades escolares.
» Saiba mais sobre o Marco Referencial de Competências Digitais para Educadores e o Marco Referencial de Competências Digitais para Estudantes
Vamos juntos com este e outros destaques da semana!

Marco referencial de competências em IA para professores e estudantes
Link: [Porvir]
#2 Ensino de matemática é destaque na programação do 9º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação em SP
Link: [JEDUCA]

#3 Novo relatório da Common Sense Media traz achados sobre conversa, confiança e acordos com adolescentes no uso de IA
Link: [Common Sense Media]

#4 SaferNet lança versão atualizada de curso sobre cidadania digital para educadores
Link: [SaferNet]

#5 União Europeia anuncia novo aplicativo para verificação de idade de crianças e adolescentes em redes sociais
Link: [Folha de S. Paulo]

DICA DE LEITURA »
Preciso confessar. Gosto de ler a versão impressa dos jornais no ambiente digital. Sabe aquele design da capa do Globo, da Folha, da Piauí, do New York Times, ou de qualquer outro jornal de bairro? Pois é, aquele testemunho do nosso tempo presente com o conjunto de notícias de maior importância para uma determinada região. Isso é jornalismo. Isso é o que difere o fato da notícia. Isso é apuração, correção, investigação, publicação, checagem, divulgação, serviço. Isso é algo que move uma sociedade e que precisa, sim, de técnica e acurácia. Precisa de trabalho em equipe para acompanhar a história, para fiscalizar o poder, para ser a primeira fonte de informação sobre fatos e pessoas. Para registrar momentos únicos na linha do tempo. Para fazer parte do nosso dia-a-dia e para que possamos formar opinião, mesmo que contrária ou crítica ao que foi publicado, mas sempre com o direito de exercer uma das maios nobres profissões, da qual me orgulho de ter estudado na academia e na vida, aprendendo até hoje com as mudanças geracionais e de tecnologias. Enfim, gostaria de deixar aqui a indicação da obra recém-lançada pela Globo Livros com curadoria de Míriam Leitão e contribuição de um timaço de jornalistas, sobre a trajetória de 100 anos do Jornal O Globo. Sobre a trajetória do Brasil e do Mundo. Imprensa livre. Democracia forte.
» Um Século de histórias
Curadoria de Míriam Leitão e grande elenco 🙂
Globo Livros | 2025


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