Educação midiática vira estratégia de mobilização com juventudes para promoção de agendas coletivas na busca por soluções ambientais no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Foto: Itaipu Binacional | Welyton Manoel
Olá pessoal! Boa semana e boa leitura!
Por José Brito, jornalista e fundador da Pupa Educação Digita
“Nós vivemos uma época de bastante circulação da desinformação. E os jovens são protagonistas, mas também muito reféns destes processos como um todo. Então, promover formação em educação midiática tendo como tema prioritário a questão climática, que é pra nós uma questão muito representativa em Itaipu, é uma das formas que nós encontramos para diminuir estas distâncias e promover, de fato, um processo educador, de escuta e de busca coletiva para problemas coletivos.”
Rosani Borba, Coordenadora de Governança Participativa de Itaipu Binacional

Imagem gerada por IA com Gemini
Escrevo o texto da semana em um hotel na pequena e pacata cidade de Telêmaco Borba, distante 245km ao norte da capital paranaense, Curitiba, e um pouco mais longe da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para onde regressarei ao final da semana. O município tem cerca de 80 mil habitantes e se sustenta com comércio de serviços e a indústria da celulose e da madeira, muito presentes por aqui.
Fui convidado para mediar uma série de oficinas sobre Educomunicação com jovens do projeto Governança Participativa de Itaipu Binacional. As atividades acontecem em 21 municípios dos estados Paraná e Mato Grosso do Sul em núcleos de cooperação socioambiental. Tirando a capital Curitiba e algumas cidades maiores como Maringá e Cascavel, os demais municípios compartilham desafios semelhantes para encontrar novas soluções para uso dos recursos da usina. São eles: Altônia, Campo Mourão, Dourados, Telêmaco Borba, Siqueira Campos, Coronel Sapucaia, Borrazópolis, Paranavaí, Curitiba, Pontal Paraná, Dois Vizinhos, Arapongas, Candói, Boa Ventura do São Roque, Rio Azul, Cornélio Procópio, São Mateus do Sul e Cidade Gaúcha. todo, são 434 municípios no ecossistema da usina.
Está sendo uma experiência maravilhosa ouvir tanta gente diferente, que conhece o Brasil na veia e que está cheia de entusiasmo para melhorar de vida. Casos com o produtor rural Pedro Vizzotto, que quer fazer uma transição em seu modelo de cultura para uma atividade orgânica, e precisa de mais informações técnicas e conhecimento jurídico. Ou ainda o perfil da jovem Sarah, que trabalha com sua mãe em uma loja de semijóias e deseja atuar como delegada para combater crimes ambientais. Jerry veio da República Dominicana. Tem 22 anos. Mora com o pai e outros dois irmãos. Veio para o Brasil em busca de melhores condições de vida. Passou pelo Haiti e quer estudar programação e tecnologia. Me passou uma mensagem há pouco agradecendo pela oportunidade de aprender como a produção de mídias pode ser um diferencial em seu currículo.
Outra voz potente deste grupo é a de Rosani Borba, Coordenadora de Governança Participativa de Itaipu. Conversei com ela em Cascavel na semana passada, quando pudemos fazer uma primeira avaliação do nosso trabalho. Uma mulher batalhadora, com carisma, e que busca as pessoas pela mão para participar de um debate. Rosani está sempre atenta aos detalhes. Participa das oficinas com a dose de crítica necessária para engajar ações. Sabe muito bem que gerir uma rede é acolher, escutar, encontrar pontes para diálogo e tomada de atitudes com grupos com interesses distintos, mas que compartilham o território e seus recursos naturais. Gente comprometida com a mudança, com os processos que podem fazer diferença na busca por mais informação e qualidade de vida para as gerações futuras.
E foi isso que encontrei no bate-papo com os jovens. Pessoas de diferentes origens, histórias e sonhos. Em comum, a busca pelo aprendizado na gestão da informação, pelo desejo de empreender e por novos modelos produtivos mais sustentáveis. Procurei dividir um pouco da minha jornada com mais de 20 anos de reportagem e atuação com práticas socioeducativas, com uso de tecnologias e, claro, com saberes que aprendo também no campo. Um jogo de ganha-ganha. Ouvimos, conversamos, questionamos e produzimos conteúdo. O resultado pode ser visto nos perfis da Itaipu e também com a Pupa Educação Digital.
Fica aqui meu agradecimento especial ao jornalista Alexandre Sayad, parceiro de tantas aventuras e quem me colocou em contato com esta turma. 🙂
Fotos das oficinas » Clique aqui!

#01 Jovens dão recado pelo clima no combate à desinformação em núcleos de governança participativa com Itaipu Binacional
Link: [Itaipu] Foto: Welyton Manoel | Itaipu Binacional

#02 Conheça o China Media Project e veja como os chineses pretendem adotar ensino de IA a partir dos 6 anos
Link: [China Media Project] + [Diogo Cortiz]

#03 Perplexity oferece U$34,5bi pelo Chrome e aumenta pressão para licenciamento de dados de busca a concorrentes
Link: [Meio e Mensagem]

#04 O que acontece numa escola rural na Colômbia quando estudantes passam a usar argumentos de IA nas redações?
Link: [Agência Pública]

#05 Insper faz acordo com OpenAI para implementar versão educacional do chat GPT para ensino, pesquisa e inovação
Link: [Insper]

DICA DE LEITURA »
Pensar globalmente. Agir localmente. Aprendi este conceito na época em que era repórter do programa Globo Ecologia, no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Ele faz referência à Agenda 21, documento proposto nos debates da RIO-92, Conferência da ONU para Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, com um plano de ação voltado para o desenvolvimento sustentável em escala global, nacional e local. Coisa simples. Pelo menos, deveria ser. A proposta é que governos, empresas e sociedade civil adotem medidas práticas para equilibrar crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental.
Corta para 25 anos depois e cá estamos novamente debatendo o clima às vésperas da COP-30, a ser realizada em Belém do Pará, em novembro. Os desafios persistem. A vontade política se esfarela entre promessas não cumpridas, busca por recursos financeiros e manutenção do apelo social sobre a importância da agenda, que, pasmem, parece ser o desafio mais complexo no momento.
Com tudo isso, preciso lembrar de Ailton Krenak com sua obra “Ideias para adiar o fim do mundo”. Qualquer semelhança com as oficinas com os jovens de Itaipu e os debates de alto nível, que não são o preço da hospedagem na capital paraense, mas sim os próximos acordos bilaterais para questões climáticas urgentes, não é mera coincidência.
» Ideias para adiar o fim do mundo
Autor: Ailton Krenak
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2019


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