Em tempos de IA e pensamento computacional, raciocínio matemático ganha destaque na programação do 9º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação
Foto: JEDUCA
Olá pessoal! Boa semana e boa leitura!
Por José Brito, jornalista e fundador da Pupa Educação Digital
“Quando pessoas cometem erros, aquelas com mentalidade de crescimento têm maior desenvolvimento cerebral. Quando trabalhamos matematicamente ativamos diversas linhas neurais.”
Jo Boaler, professora de Educação Matemática da Universidade de Stanford e co-fundadora do Youcubed

Imagem gerada por IA com Gemini
Conheci Jo Boaler no 9º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, realizado em São Paulo nesta semana. O evento faz parte da programação anual da JEDUCA – Associação dos Jornalistas de Educação, entidade criada em 2016 por jornalistas para apoiar colegas que trabalham com o tema a partir da articulação em rede, da formação profissional e organização de encontros internacionais como este, capazes de reunir mais de 500 pessoas presencialmente em dois dias na capital paulista.
Em sua fala de abertura, Boaler pediu à plateia para executar uma simples conta de cabeça: 18×5. Neste momento, fez-se o silêncio. Olhares cruzados. Sorrisos desconfiados. Aquela sensação no ar: “Essa é mole. Qual é a pegadinha?” A palestrante seguiu firme com o pedido. Bebeu um copo d´água e deu mais dois minutos para que todos ali presentes, sem auxílio das calculadoras do telefone ou até mesmo do papel e da caneta, realizassem a tarefa.
Eu estava ao lado do jornalista Antônio Gois, colunista de educação do Jornal o Globo e a poucos metros de Renata Cafardo, repórter de educação do Estadão e presidente da JEDUCA. Por ali também estavam, Camilla Salmazi, Paulo Saldaña, Tatiana Klix, Thaís Borges, Marta Avancini, Amanda Cieglinski, Cintia Gomes e Luiz Fernando Toledo, todos profissionais com extensa carreira baseada em Ciências Humanas, na investigação de políticas educacionais e com apreço, um pouquinho maior, pela língua portuguesa, mas que carregam diariamente no ofício uma relação quase que umbilical com os números. Não por menos, afinal, toda matéria que se preze apresenta dados, indicadores e contextos sobre os mais variados assuntos.
Os minutos se passaram e logo percebemos que a pergunta de Boaler era, na verdade, um teste. Tinha como objetivo observacional identificar os critérios utilizados por cada um na plateia para busca pelo resultado daquela simples conta com dois algorismos. E lembro aqui, estamos falando da palavra “algorismo”, aqueles símbolos numéricos de 0 a 9, e não sobre os “algoritmo”, termo que está na moda nos últimos dois anos e que vem sacudindo a sociedade por razões ainda não totalmente compreendidas. O fato é que neste caso de Boaler, o meio era a mensagem. Eu confesso que armei a conta na minha cabeça como se fosse no papel, colocando o 5 no andar de baixo e o 18 no andar de cima. Cinco vez oito igual a 40. Vão quatro. Cinco vezes um igual a cinco. E assim chegamos lá.
Levei, talvez, mas tempo do que meus colegas de profissão. Uns confessaram ter usado o método de estimativas. Outros dividiram dezenas maiores divisíveis por 10. Teve gente que errou na conta. De todo modo, na hora do almoço, cada um revelou sua estratégia e encontramos nos slides seguintes da professora de educação matemática de Stanford outros 7 métodos matemáticos ou, se preferir, atalhos para efetuar aquela que, agora, já era considerada não mais uma óbvia e sucinta conta, mas uma nova questão recém batizada de “complexa operação de variável matemática mental”.
Fica aqui o exemplo de Boaler. É sobre melhorar o desempenho brasileiro no PISA, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, em que ficamos com 379 pontos em matemática, na última edição de 2022, bem abaixo da média dos países da OCDE, com 472. É sobre a importância de uma abordagem mais lúdica e abstrata sobre este tão importante componente curricular, que possa levar em conta nossas brincadeiras da infância, paródias musicais, experimentos científicos, produções artísticas e tudo mais o que você possa imaginar para trocar a famosa decoreba pela conquista da emancipação civilizatória com o aprendizado lógico. É sobre isso. Vale lembrar ainda que as competências digitais farão parte da próxima avaliação do PISA.
Ah, 18×5 é 90. Boa leitura!

#01 Professora de Stanford, Jo Boaler, aponta caminhos para uma educação matemática e benefícios do raciocínio lógico
Link [Jeduca] Foto: Tiago Queiroz

#02 Como entender o espírito do tempo digital a partir da mudança de hábito da busca por resultados para experiência conversacional?
Link [O Globo] Foto: André Mello

#03 Observatório Brasileiro de IA promove evento com foco nos novos debates sobre empregos, meio ambiente e aprendizagem.
Link [Nic.br] Foto: Nic.br

#04 Pesquisa com 196 mil alunos revela melhora no rendimento de estudantes após lei que restringe uso de celulares em escolas
Link: [Jornal Nacional] Foto: reprodução JN

#05 Perplexity vai pagar por artigos usados para treinamento de IA e abre novos diálogos entre empresas de mídia e Big Techs
Link [Canal Tech] Foto: Marcelo Salvatico

DICA DE LEITURA »
Essa veio com dedicatória e recheada de carinho. Recebi o livro das mãos do querido professor Noslen Borges durante os intervalos do congresso da Jeduca. Devorei o livro na ponte-aérea entre o Rio e São Paulo na noite de ontem. Ao lembrar dos desafios da educação matemática, bom saber que a nossa boa e velha língua portuguesa também carrega em seus acordos ortográficos um oceano de dúvidas que vão desde o uso correto da crase, figuras de linguagem, pontuação, vícios de escrita e mais alguns conceitos dos pronomes aos porquês.
Noslen acumula mais de 7 milhões de seguidores em suas redes sociais e encantou o Brasil e o mundo quando deixou a sala de aula para encontrar outras formas de linguagem e comunicação com um público ávido por conhecimento e em busca de novas narrativas sobre nossa língua falada e escrita. O prefácio é de Luis Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal, com quem Noslen conversou bastante em recentes agendas pela educação midiática e formulação de novas políticas digitais.
» Português para não pagar mico
Autor: Noslen Borges, com prefácio do Ministro Luis Roberto Barroso
Editora: Citadel Grupo Editorial
Ano: 2025


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