Pesquisa revela viés de gênero em aplicativos complementares de IA com alertas sobre estereótipos prejudiciais a mulheres e atenção para educação dos meninos
Foto: UNICEF
Oi gente, bom dia. Vamos juntos para mais uma boa semana!
Por José Brito, jornalista e fundador da Pupa Educação Digital.
“Embora as plataformas apresentem avisos, essa abordagem pode ser insuficiente quando crianças, que ainda estão desenvolvendo seu pensamento crítico, estão envolvidas. Incapazes de detectar imprecisões ou manipulações, os jovens usuários podem enfrentar riscos aumentados de desinformação e danos emocionais de tecnologias que são confiadas a serem objetivas e confiáveis.”
Samia Firmino, pesquisadora de IA e Ética na Inovação. Especialista em Governança Digital.

Imagem gerada por IA com Gemini
Levanta a mão quem nunca pensou em contar ou, pelo menos, manter um segredinho com alguém, mesmo que seja numa situação de mais absoluto controle e confiança… No trabalho, na família, na escola ou ainda ao perceber, simplesmente, que tem momentos na vida em que quem cala, consente. Hummmm, mas deixa eu te contar outro segredo que, nem precisa ser segredo, tá? Olha só!
Pra começar, vou te ajudar a entender melhor este cenário com a frase do Radar Pupa desta semana, que vem da pesquisadora Samia Firmino, especialista em inovação digital com foco na interseção crítica entre IA e Proteção Online Infantil. Acabei de ler sua entrevista para o portal do UNICEF, compartilhada pelo meu colega, o também pesquisador Guilherme Cintra, Diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann em nosso grupo de trabalho sobre aprendizados com IA na educação.
Nesta entrevista, Samia faz o alerta para a relação tênue entre humanos e máquinas, sobretudo quando a parcela de humanos envolvida está em pleno desenvolvimento, como é o caso de crianças e adolescentes da geração nascida a partir de 2010 e que já veio ao mundo com o chip da IA no seu HD interno. De acordo com dados de instituições de referência no assunto, como Common Sense Media, FOSI e Kaspersky, nos EUA, 7 em cada 10 adolescentes de 13 a 17 anos já se envolveram com pelo menos uma ferramenta de IA generativa. 42% a usaram para combater o tédio. 18% pediram aconselhamento pessoal. 15% recorreram a ela em busca de companhia. No Japão, metade dos adolescentes quer que a IA ofereça suporte emocional. Imaginem as variáveis envolvidas em conversas não supervisionadas de crianças com máquinas. Samia passou o último ano investigando mais de 100 destes modelos. Vale leitura no link ao final do texto.
Ao mesmo tempo, lendo a coluna de Preto Zezé no jornal O Globo de hoje, 4 de agosto de 2028 me deparei com outro ponto diretamente associado à pesquisa de Samia. O perigo dos personagens hiperfeminizados e femininos, projetados para interação romântica ou sexual, e como estes bots podem influenciar diretamente toda uma geração de meninos, normalizando visões de supremacia e opressão sobre mulheres, com padrões irrealistas de comportamento e aparência. Preto Zezé fez o alerta ao pedir para o filho arrumar a cama. Recebeu como resposta: ‘Ué, mas tem uma moça para vir aqui em casa e fazer isso, pai”. Pois em. A partir deste momento clichê para muitas famílias de classe média, ele começa sua coluna com a pergunta: “Que filhos estamos deixando para o mundo?” Estamos formando homens assim. Em casas que não percebem que falham. Em escolas que evitam discutir gênero. Numa sociedade que silencia quando o agressor é “bom pai”, “muito educado”. Mas que homem é esse que descarrega ódio no corpo de uma mulher? Que menino ele foi? Que meninos temos em casa hoje?
Eu termino este meu convite a newsletter da semana com estas duas provocações: que companhia queremos entre máquinas e nós? É tudo verdade, meu povo. Depende de como queremos responder a estas perguntas. Agora eu deixo com vocês, afinal, a sociedade que queremos é, simplesmente, o que cada um de nós imagina para os outros. E podemos melhorar, sempre.
Vamos em frente!
Foto: UNICEF/UN0473755/Gelman / VII Photo

#01 UNICEF alerta para relação de crianças com chatbots como companheiros
Link: [UNICEF]

#02 Estados das regiões Sul e Sudeste se preparam para receber primeiros grandes projetos de Data Centers no Brasil: RJ, ES,PR e MG
Link: [G1]

#03 Casa FIRJAN inicia curso para educadores com foco em letramento em IA, educação midiática e produção científica
Link: [Casa FIRJAN]

#04 Estudo da Microsoft aponta nova lista de profissões mais impactadas com Inteligência Artificial
Link: [Exame]

#05 Nova funcionalidade do Notebook LM do Google permite criação de resumos em vídeo para documentos na plataforma
Link: [Instagram]

DICA DE LEITURA »
Se você está em busca de uma listinha atualizada dos livros mais vendidos na 23ª Festa Literária Internacional de Paraty não se preocupe. Seus problemas acabaram! Acesse aqui e confira. Eu que estou me preparando para uma jornada de dois meses viajando pelos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul para um projeto de educação midiática e combate à desinformação sobre questões climáticas, já coloquei na bagagem este e outros livros do português nascido em Angola, Valter Hugo Mãe.
Uma obra para se ler de pronto. Breve e profunda reflexão sobre empatia, palavrinha tão necessária nos dias de hoje e que me faz lembrar da vida como ela é. Da vida em casal. Da vida ao ar livre. Na natureza. No corre. No cafezinho matinal ao lado de quem você ama. O livro destaca o olhar pueril de uma criança sobre os pares entrelaçados na superfície terrestre nas mais variadas formas de vida. Um convite ao desapego. Ao respiro profundo de olhos fechados e aquele leve sorriso no rosto. Ao olhar para o outro. Ao imaginar que o paraíso, sim, está na lente de como queremos enxergar o mundo. Como desejamos que os outros percebam nossa existência para além da relação, das diferenças, das opiniões. Da simples essência de tentar entender um pouquinho do mundo nas pequenas conquistas do que pode não estar em nossas mãos a todo tempo mas, com certeza, vive em nossos corações.
Um beijo, meu amor!
» O paraíso são os outros
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Biblioteca Azul
2018


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