Como você se informa e qual a sua fonte de pesquisa digital?

Pesquisa TIC Educação revela aumento no domínio de ferramentas com IA generativa por jovens em meio ao desafio para formar educadores para tecnologias digitais.

Foto: Freestoks.org

Oi minha gente querida, boa semana!

Por José Brito, jornalista e fundador da Pupa Educação Digital.

“Não há um julgamento sobre o uso dessas ferramentas, se elas são boas ou ruins para o aprendizado. O que sabemos é que as escolas e professores ainda não estão preparados e estruturados para lidar com elas, mas os alunos já estão usando. É aí que estão os riscos, sem orientação ou uso crítico, elas podem interferir substancialmente no processo de formação de toda uma geração.”

Daniela Costa, Coordenadora da Pesquisa TIC Educação 2024 | Cetic.br, Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação

Imagem gerada por IA com Gemini

 

Falo por experiência própria. Nos últimos anos venho experimentando uma mudança de cultura, que começou justamente com a forma de fazer buscas na internet. E olha que estou com 47 anos e lá atrás, quando era repórter do saudoso programa Globo Ecologia, em 1998, me deparava com o surgimento do Google e de ferramentas de pesquisa digital. Junto com o bloquinho e a caneta, se somaram teclado, monitores de tubo, navegação online e algoritmos. Corta a cena para 2024 quando participei de um encontro na Finlândia sobre o inteligência artificial e alfabetização midiática com profissionais de imprensa e pesquisadores do mundo todo, na busca por entendimento de novas formas de acessar, interpretar e produzir conteúdo no ambiente digital. Moral da história: conheça minimamente a tecnologia do seu tempo.

E é isso que está acontecendo com a geração Z, aqueles nascidos depois de 1997, às vésperas do fiasco do “Bug do milênio” — quem curtiu o réveillon do ano 2000 sabe do que estou falando. O fato é simples: o que antes era pesquisa na internet, agora se transformou em experiência conversacional. Uma tela dominada por páginas e páginas com listas de links patrocinados foi substituída por caixas de diálogo para prompts cada vez mais capazes de ir além da resposta a um email ou elaboração de documento, resumos organizados, análise de contexto e criação de vídeos ultrarrealistas. A mudança é cultural e não só da tecnologia.

Ao ministrar palestras e oficinas sobre mídia, informação, tecnologias digitais e educação, costumo perguntar à plateia: como você se informa? Com tudo isso disponível para arrumar nossa vida, com Amazon, Google, OpenAI, NVidia e todos os chips em disputa mundo afora, quero saber o que tá rolando por aí. Seja pra não tomar susto com o aumento do preço do café na padaria, influenciado por uma tarifa de 50% nas exportações brasileiras, seja para entrar na conversa sobre a fofoca do meu bairro ou ainda descobrir se vai chover no final da tarde. Só pra quebrar o gelo. Tirar uma temperatura. Tentar entender como os fenômenos do combate à desinformação e da produção de mídia se materializam no dia-a-dia de uma geração conectada com seu dedo nervoso, ávido pelo clique de encaminhamento de uma novidade em um grupinho preferido de mensagens.

Invariavelmente, as respostas convergem para a expressão “redes sociais”. De uns tempos pra cá, tenho ouvido também, “ChatGPT” e, claro, alguns influenciadores ou canais de distribuição no Youtube, Instagram, Tiktok e Whatsapp. E é aí que podemos mergulhar mais um pouquinho para investigar — e o verbo “investigar” é bastante apropriado. Precisamos de mais detalhes a respeito de quem estamos falando, do que estamos falando, quando, onde, como e, claro, o por quê. Uma pesquisa do Cetic.br, Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação revela que o uso de ferramentas com IA já acontece desde o início da vida escolar dos estudantes, e que se intensifica ao longo dos anos seguintes. Canais de vídeos como em plataformas como Tiktok e Youtube estão sendo mais utilizados como fonte de pesquisa de informação em comparação aos tradicionais sites de busca como Google, Yahoo, Bing e outros.

Não à toa, a frase em destaque desta semana vem de quem acompanha este debate de perto. Segundo Daniela Costa, Coordenadora da Pesquisa TIC Educação 2024, os dados revelam uma transformação digital acelerada em curso nas rotinas escolares. 7 em cada 10 estudantes declaram utilizar canais de vídeo em comparação a outros 4 de cada 10 que continuam usando sites como Wikipedia. “A pesquisa não consegue identificar se os jovens usam a IA como apoio para fazer as atividades ou se deixam essas ferramentas fazerem toda a tarefa”, conclui Daniela. Ao mesmo tempo, um número crescente de alunos de Ensino Médio declaram utilizar aplicativos com inteligência artificial generativa em trabalhos escolares. Por outro lado, apenas 30% relatam ter recebido orientação da escola sobre o assunto.

É um pouco sobre isso. Trocar o pneu do carro com ele em movimento. Entender melhor a estrada para além do destino ou resultado que desejamos. Vamos em frente com um pouquinho mais de informação. Vale conferir os dados deste estudo com mais detalhes. Preste atenção e fique até o fim, pois tem mais dica de leitura lá no final. 😉

Até!

#01 Pesquisa revela preferência dos jovens por tarefas escolares com vídeos ao invés de informação em plataformas de busca

Link: [TIC Educação 2024] Freestoks.org

#02 Cartagena das Índias, na Colômbia, recebe em outubro aliança global da UNESCO pela alfabetização midiática e informacional

Link: [UNESCO]
#03 Cúpula Global sobre Desinformação reúne jornalistas, pesquisadores e organizações no debate sobre mídia e tecnologias
Link: [Cúpula Global sobre Desinformação]

#04 O futuro do trabalho é multigeracional? Conheça práticas para promover empatia e aproximar gerações no ambiente corporativo

Link: [LinkedIn]

#05 Estudantes recriam feiras medievais para analisar influências do pensamento crítico da Idade Média em tempos de cultura digital

Link: [Educação & Tendências]

DICA DE LEITURA »

Fala comigo, quantas vezes você já observou o relatório semanal de tempo de consumo no seu celular? Pode dizer a verdade, talvez, você nem saiba que este recurso está disponível na grande maioria dos aparelhos com sistema operacional Android ou IOS. Se preferir, pode pensar em qual é a primeira coisa que você faz ao acordar, antes mesmo de dizer bom dia a pessoa amada, ir ao banheiro ou tomar uma xícara de café. Se você é daquelas criaturas que não consegue ficar longe das notificações de mensagens do Whatsapp, do status em rede social ou das mais variadas formas de conteúdo digital disponível em um smartphone ao alcance das mãos, não se preocupe, este livro é pra você.

Em outras palavras, quem sabe ele pode trazer um pouquinho de inquietude, não para você começar uma terapia, mas para, pelo menos, chegar ao final deste texto, devidamente concentrato, e entender um pouquinho mais do rolê quando o assunto é a relação das grandes empresas de tecnologia com as soluções digitais disponíveis no mercado. Da mesma forma, podemos perceber ainda estes efeitos com o feed infinito, o algoritmo personalizado, as bolhas de informação e algumas das mais recentes pesquisas sobre dependência digital e suas consequências com adolescentes e jovens. Fica o recado do jornalista Chris Hayes com sua obra que figura na lista dos mais vendidos do New York Times.

» Capitalismo da atenção

Autor: Chris Hayes
Editora: Livros de Valor
Ano: 2025

Até a semana que vem! 😉

Compartilhar

Deixe um comentário