Das experiências internacionais ao suco de Brasil. O que podemos aprender com os avanços da integração de ferramentas digitais às rotinas de profissionais de educação.
Foto: Acervo gratuito | Pexels-Pixabay
Oi pessoal, boa semana!
Por José Brito, jornalista e fundador da Pupa Educação Digital
“O desafio de ter uma escola que converse com o seu tempo é muito grande porque a gente vem de uma geração de professores offline e agora estamos numa fase em que a gente tem um nível de detalhamento por habilidade, por aluno, dentro do ambiente digital. Saber se relacionar com esse ambiente digital, com todos os perigos, ameaças e oportunidades é mais do que um direito do aluno. É um dever da escola.”

Imagem gerada por IA com Gemini
O que será que uma escola particular do Rio de Janeiro, outra da rede pública do interior de São Paulo, em Itatiba, e uma terceira dedicada à Educação Profissional, localizada nas cercanias de Maringá, no Paraná, têm em comum? Dou um doce para quem tentar adivinhar sem citar aquelas duas letrinhas mais pronunciadas por gerações conectadas pela tecnologia nossa de cada dia e ávidas por soluções concretas de aprendizagem digital. Hmmmm… olha aí, começa com I e termina com A.
E não é por acaso que a inteligência artificial está redimensionando a adaptação de currículos escolares. De norte a sul do planeta, inovações avançam em grandes centros de pesquisa com recursos quase infinitos, como na China e nos EUA, que travam uma batalha épica pelo domínio desta tecnologia em todos os níveis. Ao mesmo tempo, outros modelos optam pelo desafio da lógica, como a Estônia, com recomendações para uso de dispositivos inteligentes, como smartphones, não apenas para lazer, mas para composição de guias para uso de IA, dentro e fora da escola. Ou ainda avanços em redes públicas brasileiras, como a do Piauí, que acaba de receber o prêmio Rei Hamad Bin Isa Al-Khalifa, promovido pela UNESCO em parceria com o governo do Bahrein, por incluir, desde 2024, a disciplina de Inteligência Artificial, agora obrigatória, para 120 mil alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e do Médio.
Entre tantas outras experiências em curso, estão as três citadas no primeiro parágrafo e que venho acompanhando mais de perto. Em Itatiba, SP, a convite da Brasscom, realizamos um Seminário para uso consciente de IA para alunos do Ensino Médio. Foram mais de 300 participantes em um dia intenso de atividades com a criação de agentes e assistentes virtuais para resolver problemas da escola. Em paralelo, outras turmas produziram vídeos com as ferramentas VEO-3 e SORA, no ChatGPT, para debate sobre a história do Brasil com professores e os temas que podem cair no ENEM.
No Paraná, durante as oficinas de educomunicação com jovens para combate à desinformação climática, projeto liderado pelo Alexandre Sayad, em parceria com Itaipu Parquetec, tive a oportunidade de ouvir relatos dos mais diversos, como o sonho do primeiro emprego no campo, aos impactos dos vídeos ultrarrealistas que proliferam notícias falsas e golpes por redes sociais e grupos de Whatsapp.
O fato é que, mesmo com uma novidade por semana lançada por gigantes da tecnologia, ou experimentação por algum setor produtivo, não há ainda linha do tempo suficiente para trazer qualquer relatório de práticas ou guia capaz de equacionar a questão. Que bom!
Foi nesse sentido que conversei com Vinícius Canedo, diretor do Colégio MOPI, no Rio de Janeiro. A escola conta com duas unidades, uma no Itanhangá, na Zona Oeste, e outra na Tijuca, Zona Norte. Sempre atento aos principais movimentos que envolvem educação, tecnologia e inovação, Vinícius me procurou para contribuir com as redes da Pupa Educação Digital na revisão da grade curricular da escola, a fim de ampliar a oferta da educação digital e laboratórios com IA para alunos do Fundamental II e do Ensino Médio.
Estamos em plena jornada, mas já percebemos que a tarefa é muito mais ampla e urgente do que simplesmente um ou outro produto que possa ser lançado. Importante lembrar que a escola saiu na frente e inovou em 2025 ao ser uma das primeiras instituições de ensino a adotar no Brasil a ferramenta Khanmigo, da Khan Academy, como tutora de aprendizagem com IA para estudantes e professores.
O que temos aprendido com esse processo é que não há bala de prata ou fórmula mágica. Precisamos de agilidade, sim, mas também de cautela, pois há muita coisa envolvida quando o assunto é autonomia, privacidade e curadoria de conteúdo digital. Precisamos sempre dos freios de arrumação quando necessários, e da coragem quando preciso for acelerar a prática.
Os resultados começam a aparecer, e toda a avaliação envolve uma visão transversal do ensino, com adequação de novas metodologias que chegam para somar e evoluir. Alguns estudantes do Ensino Médio usaram ferramentas de IA para identificar colegas da escola com aptidões musicais, revisitaram práticas de redação em experiências de checagem de dados e tem os que se divertem com as monitorias em conversas com assistentes virtuais.
Esse processo não é simples, exige espaços para escuta, experimentação, nova infraestrutura, adaptação e avaliação contínua. Também demanda formação de equipes, diálogo com estudantes e famílias, e atualização constante diante dos avanços da legislação e das transformações sociais.
Tudo isso precisa caminhar junto à diversidade na composição das equipes, à inclusão social e ao acesso ao conhecimento técnico, sem perder de vista as habilidades que sustentam uma cultura digital: respeito, cidadania, responsabilidade e ética no uso da tecnologia.
Precisamos falar mais do que está em jogo no mundo digital, quem está por trás dos algoritmos, das mensagens que recebemos, da publicidade, do avatar e do resultado do comando a uma ferramenta.
E, por fim, vamos debater, sim, sempre, as diversas linguagens e fragmentações em curso para a resolução de problemas complexos. Esses desafios podem ser redimensionados pela lógica ou pela imaginação, para processar novas ideias com um pensamento computacional centrado no humano.
É sobre isso que compartilho algumas dicas de hoje.
Boa leitura!

#1 CULTURA DIGITAL, PENSAMENTO COMPUTACIONAL E A NOVA REVOLUÇÃO DO ENSINO NO BRASIL E NO MUNDO
#2 INSPER RECEBE MAIS DE 40 ESPECIALISTAS COM PRÁTICAS E APRENDIZADOS SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO
#3 ECOSSISTEMA INFORMATIVO SAUDÁVEL DEPENDE DE POLÍTICA, INSTITUIÇÕES E APOIO AO JORNALISMO, DIZ NOBEL DE ECONOMIA
#4 CONHEÇA O MEDIAWISE, PLATAFORMA DE EDUCAÇÃO DIGITAL E MIDIÁTICA QUE CONECTA JOVENS CHECADORES PELO MUNDO
#05 CRISE DO COPIA E COLA COM ALUCINAÇÕES DE IA GERA PREJUÍZOS A GIGANTE DE CONSULTORIA NA AUSTRÁLIA
DICA DE LEITURA »
Trabalhei com Rafael Parente, quando ele apresentava um programa de entrevistas no Canal Futura. Bons tempos e boas recordações de pessoas apaixonadas pela educação, que experimentavam linguagens audiovisuais como forma de difusão do conhecimento, provocação e ampliação de repertório cultural, sempre com gente boa e conectada às principais urgências sociais.
O tempo passou, e me reconectei com Rafa, agora diretor do Instituto Salto, em outros grupos de pesquisa, desta vez dedicados, justamente, aos aprendizados com tecnologias digitais e modelos de IA na educação. Trocamos mensagens quase diariamente com colegas imersos na ciência computacional, em eventos de referência nos campos da tecnologia, da inovação, da educação e da cultura digital.
Já somamos muitas novas aventuras, e tantas outras virão. Por isso, deixo uma dica nesta semana, que é mais um convite: o lançamento de “O professor ampliado: reimaginando o papel docente na Era da IA”, obra produzida pela Cátedra da UNESCO em parceria com a Universidade de Brasília, assinada por ele ao lado de Renato Brito e Maria Cristina Mesquita.
Destaque para a atenção aos processos de escuta social nas diferentes realidades dos territórios brasileiros e para a valorização da diversidade nesses contextos escolares. Ainda não li, mas já estou com meu exemplar encomendado. 😉
» O professor ampliado: reimaginando o papel do docente na Era da IA
Autores: Renato Brito, Rafael Parente e Maria Cristina Mesquita
Editora: Cátedra UNESCO e Universidade Católica de Brasília
Ano: 2025

Até mais!

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