Painéis da RIW 2026 apontam conexões necessárias entre os grandes investimentos em tecnologia e a qualidade do ensino com ampliação do acesso à educação digital.
Por José Brito, jornalista, fundador da Pupa Educação Digital e professor do Laboratório de IA e Educação Digital do Colégio MOPI.
“Nós temos que apontar caminhos. Dizer para onde a gente quer ir. E diferente do que muita gente pensa, não é só o mercado que indica o que é inovação. As experiências que nós temos nos dois maiores países que produzem inovação, que são EUA e China, têm muito recurso público investido.”
Gabriel Medina, Secretário Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro

Imagem gerada com IA no Google Nano Banana. Uma balança sustentada por robôs pesa, de um lado, os data centers e o investimento em IA e, do outro, a escola e o livro, com o Cristo Redentor ao fundo. Nos cantos, os destaques da edição: o diário de uma conferência de IA na China vira jogo, adolescentes escrevem regras, livros que viram dados e deepfakes que miram mulheres. No centro, um robozinho lê um livro com a bandeira do Uruguai.
Ontem foi um dia intenso. Passei horas de pé em frente à bancada da Pupa no Start Up Alley, no Armazém 5, da Rio Innovation Week. Grande experiência regada a muitos encontros, conexões, aprendizados, rodadas de novos negócios e, claro, alguns milhares de passos. Ao final do dia foram mais de 12 mil marcados no meu relógio digital. Vida que segue de um lado para o outro, como bem sabe quem cobre e participa de grandes eventos.
Estive também na Conferência EduTech, do outro lado dos trilhos do Píer Mauá, no Armazém Kobra, com a querida equipe do Colégio MOPI, e a convite de Gisele Lopes, responsável pela fantástica curadoria deste espaço do evento. Falei sobre a elaboração e implementação de políticas para uso de inteligência artificial em escolas. Sala cheia de educadores e gestores comprometidos com uma nova demanda de aprendizagem que está balançando os pilares de instituições e redes de ensino. Todo mundo em busca de novos caminhos para avançar na transformação digital sem perder de perspectiva a linha histórica dos avanços necessários nos indicadores da Educação Básica.
Ambas agendas conectadas por uma missão maior e mais complexa, afinal, o Rio de Janeiro vem se posicionando como cidade referência nacional em inteligência artificial aplicada e inovação urbana, costurando política pública, infraestrutura e um ecossistema ativo de grandes eventos.
De uma lado, o Rio AI City, lançado pela prefeitura no Web Summit Rio, prevê um megacomplexo de data centers na região do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, com parcerias e aportes de U$550 milhões. O Rio.IA, um hub público de inovação coordenado pela Secretaria Municipal de Ciência Tecnologia e Inovação, conecta universidades, startups e empresas na agenda do empreendedorismo, da inclusão digital e transformação social.
Por outro lado, nesta mesma semana saíram os resultados do IDEB, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que combina a avaliação do desempenho de alunos com o fluxo de aprovação escolar. E aí que vem um dos gargalos. Enquanto o Brasil celebra avanços na série histórica em todas as etapas, análises precisam ser feitas, e no Rio de Janeiro, apesar dos indicadores dos anos iniciais e finais puxarem o resultado pra cima, no ensino médio, ainda encontramos um rendimento ruim, bem abaixo da média nacional. Vale conferir na reportagem da minha colega Luiza Tenente, do G1.
Entre tantas camadas importantes no debate, a da educação digital com foco no ecossistema de qualificação profissional, é onde a Pupa se coloca. Somos uma das centenas de startups que hoje compõem este mapa de inovação da cidade, e formar pessoas para conviver de forma crítica e criativa com a inteligência artificial, em três frentes que vão da educação digital de jovens e adultos à aceleração de empresas com fluxos operacionais com IA, somada às experiências de cultura digital nos territórios.
Levo essa frase que ouvi do Gabriel Medina em uma de suas mesas como aposta para este novo ciclo na nossa cidade e no nosso estado, porque a infraestrutura é só o começo. Parabéns Medina! A RIW é um sucesso e o Rio merece! Vamos juntos nesta jornada! A formação para qualificar equipes neste mercado em transformação é o que compõe, também, a necessidade de investimento.
Boa leitura!
Fontes: Rio AI City — Prefeitura do Rio | Convergência Digital — Rio AI City até 2032 | Rio Innovation Week — Programação | G1 — IDEB do ensino médio 2025 por estados | Agência Brasil — IDEB 2025 | Inep — resultados oficiais

#1 — Missão China 2026: pesquisadores transformam anotações sobre conferência de IA em jogo digital
Guilherme Cintra e Thiago Maluta utilizaram aplicativos Claude e Kimi para traduzir diário de bordo da WAIC em experiência interativa.
🔗Fonte: Netlify App e WAIC

#2 — E se os adolescentes pudessem criar as regras para uso de IA? O resultado é revelador!
Pesquisadora da Universidade de Columbia explora debate sobre IA com alunos ao conversar sobre privacidade, autoria, respeito, tecnologia e checagem de informações
🔗Fonte: LinkedIn

#3 — Conversa vazada no Whatsapp leva demissão a processo judicial na Alemanha com análise da LGPD
Caso ocorre após mensagens privadas serem encaminhadas a terceiros, sem autorização, e levanta questão sobre aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados.
🔗Fonte: G1

#4 — Livros antigos estão sendo destruídos para digitalização ágil e treinamento de agentes digitais
Influenciador Bookster explica como estratégia de grandes empresas de tecnologia pode comprometer obras raras da literatura em cenário hostil para acesso a dados.
🔗Fonte: CNN Pop

#5 — NetLab, da UFRJ, monitora deepfakes da atriz Paolla Oliveira em anúncios da Meta
Levantamento aponta 198 anúncios sensacionalistas com promessas falsas de conteúdo sexual e acende alerta sobre lucro de plataformas com propaganda ilegal.
🔗Fonte: NETLab Instagram

DICA DE LEITURA 📚
Livro: O LIVRO DOS ABRAÇOS
Autor: Eduardo Galeano
Editora: L&PM Pocket
Ano: 2026
Passei na Bookworm nestes dias, uma livraria simpática e acolhedora no Shopping Dowtown. Conheci o casal Fernanda e Alessandro. Muitas ideias pela frente. Aproveitei e comprei uma das obras de Eduardo Galeano. Tô adorando! Histórias curtas para ler a qualquer hora. Fechar os olhos e sentir algumas cenas mundanas. Ensaios sobre a vida. E é sobre isso hoje. Sobre memória, utopia e o valor do que queremos deixar em nossas biografias neste mundo por vezes, hiper-conectado, por outras conectado com o que de fato importa. Ainda falaremos muito aqui dos desdobramentos da Rio Innovation Week, mas por enquanto, fazemos a pausa para a degustação literária que alimenta a alma.

Capa de O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano (L&PM Pocket): sobre o fundo azul-escuro, o nome do autor em vermelho e o título em amarelo, com a ilustração de uma mão que se transforma em gesto no canto inferior esquerdo.

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