Código Humanitas desenvolvido por pesquisadores da PUC-PR traz reflexão sobre estímulo ao pensamento crítico na era da automação de serviços com assistentes digitais
Por José Brito, jornalista, fundador da Pupa Educação Digital e professor do Laboratório de IA e Educação Digital do Colégio MOPI.
“Enquanto a IA aprende tudo com a nossa história e com os nossos livros, o que nós estamos aprendendo?”
Cristina Pastore, Diretora de Marca e Futuro da PUC-PR, em vídeo de lançamento do projeto Código Humanitas, com a 404 Innovation Studio

Imagem gerada com IA no Nano Banana. Pixel art sobre fundo roxo estrelado. No centro, mãos de robô seguram um livro aberto com interrogação, lupa e balança e a palavra “IA”, dentro de círculos de luz e com um balão de pergunta acima. Abaixo, um robô sorridente lê um livro. Ao redor, gráfico de barras, lousa com lâmpada, escudo com cadeado, tela com botão de play e pequenos robôs.
Ontem realizamos a transmissão ao vivo da primeira turma do curso IA no dia a dia da Pupa. Foi um desafio e tanto colocar de pé transmissão em tempo real, módulos de aprendizagem para consulta assíncrona, gestão do chat de comentários e ainda a organização do estúdio de gravação. No final, deu tudo certo e saio com o orgulho de ter dado um pequeno grande passo no caminho da educação digital para jovens e adultos.
Digo isso pois a frase da semana é da Cristina Pastore, Diretora de Marca e Futuro da PUC-PR, que lançou recentemente um código aberto para provocar mais dúvidas em quem utiliza ferramentas com IA em rotinas para pesquisa e produção de conteúdo. Tive acesso à iniciativa a partir do querido grupo de pesquisadores sobre Aprendizados com IA na Educação, do qual faço parte.
A turma da PUC-PR publicou um protocolo aberto com 12 artigos que pede ao sistema que devolva a decisão a quem pergunta, cite fontes verificáveis e assuma que não é neutro em temas controversos. É um pequeno passo, como o nosso curso, mas vale acompanhar, pois cada vez mais percebo que além de qualificar perguntas para solicitação de demandas, é preciso análise de contexto para interpretação das respostas e encaminhamento das tarefas automatizadas. Simples assim.
Importante também ficarmos atentos a levantamento do LinkedIn em 27 países, que mostrou que mulheres ocupam 13,3% dos cargos executivos ligados à IA no mundo. No Brasil a realidade é ainda pior. Menos de 5%. Dado interessante quando no período em que leio a notícia de que minha colega Sil Bahia passou a integrar o conselho consultivo do Instituto Palavra Aberta, projeto referência em Educação Midiática no Brasil e no mundo.
O Conselho Nacional de Educação aprovou no início deste mês as primeiras diretrizes nacionais para o uso de inteligência artificial em escolas e universidades. O texto organiza as aplicações em quatro níveis de risco e proíbe de imediato um conjunto de práticas, que até então estavam difundidas sem muito critério entre educadores e instituições, como correção de redações feita apenas por IA, uso de detectores automáticos como objetivo de punir estudantes e uso de dados de crianças e adolescentes para publicidade direcionada.
E ainda: no terceiro episódio da série da Fundação Telefônica Vivo sobre IA na educação, Lia Glaz apresenta um estudo com quase mil estudantes de ensino médio sobre as perdas e ganhos da aprendizagem quando os estudantes delegam os resultados da pesquisa aos assistentes digitais. Desafio enorme para toda uma geração que está por aí moldada na cultura digital e diante da missão de entender o mundo.
Nesse sentido, aprender a discordar da IA é talvez a tarefa mais simples e a mais difícil que não só a escola, mas todos nós, temos pela frente.
Boa leitura!
📌 Fontes: Código Humanitas | Porvir · diretrizes do CNE | Tilt UOL · liderança em IA | Terra · série Fundação Telefônica Vivo | Instituto Palavra Aberta

#1 – Conselho Nacional de Educação aprova novas regras para regular uso de inteligência artificial
Diretrizes proíbem correção automática de redações, limitam vigilância e uso de dados de estudantes e níveis de risco para aplicações em escolas e universidades.
🔗Fonte: Porvir

#2 – Inscrições abertas para a 3ª Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial. Prazo termina em 20 de setembro
Iniciativa abre inscrições para estudantes do 6º ano do Fundamental ao 3º do médio, com provas online e vagas para Time Brasil na etapa internacional da IOIA em 2027.
🔗Fonte: Onia Brasil

#3 – Liderança em IA no Brasil é majoritariamente masculina; mulheres são só 4,7% nas chefias
Levantamento do LinkedIn com 27 países mostra que mulheres são 13,3% dos cargos executivos ligados à inteligência artificial no mundo; no Brasil, o percentual cai para 4,7%, enquanto elas representam 22,1% em posições de IA abaixo da cúpula.
🔗Fonte: Tilt UOL

#4 – Iniciativa da PUC-PR produz código para estimular a IA a pensar antes de trazer respostas prontas
Protocolo de código aberto com 12 artigos pede que sistemas devolvam perguntas, citem fontes e sinalizem vieses, estimulando o pensamento crítico para uso de IA.
🔗Fonte: Nunca para de pensar

#5 – IA sem proteções pedagógicas prejudica aprendizado de estudantes, aponta estudo com mil alunos do ensino médio
Em série sobre IA na educação, Fundação Telefônica Vivo alerta para a necessidade de equilibrar ganhos imediatos com aprendizagem com inovações da teconlogia.
🔗Fonte: Portal Terra

DICA DE LEITURA 📚
Livro: Máquinas entre nós
Autora: Mariana Ochs, coordenadora de educação do EducaMídia
Editora: EducaMídia / Instituto Palavra Aberta, com apoio do Google.org
Ano: 2026 · gratuito em PDF, licença Creative Commons
Conheço de perto o trabalho do Instituto Palavra aberta. E é sempre um prazer utilizar as referências deste grupo qualificado para abordar temáticas relacionadas à mídia e educação.
Mariana Ochs é uma querida colega de jornada. Estamos juntos em diversas agendas e ela sempre me lembra sobre a importância de entendermos cada vez melhor o impacto da tecnologia em nossas rotinas. As escolhas que fazemos, como interpretamos os dados e, principalmente, qual é a nossa responsabilidade ao utilizar esta ou aquela informação.
Neste livro, disponível gratuitamente para download, ela reúne textos escritos entre 2022 e 2026. Um dos pontos centrais na obra é a permanente vigilância do compromisso da sociedade com a checagem de fatos. É basicamente meio caminho andado para avaliar uma resposta de um chatbot com IA. E leitura obrigatória para quem quer avançar com mais confiança pelo ecossistema digital.

Capa de Máquinas Entre Nós, de Mariana Ochs. Colagem em que seis jovens vistos de cima formam uma roda ao redor de uma grande engrenagem, entre fitas de código binário e recortes vermelhos e pretos.

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