Estudo de Stanford revela que IA generativa está alterando oferta de vagas que podem ser automatizadas com tarefas como atendimento, produção de texto e programação.
Por José Brito, jornalista, fundador da Pupa Educação Digital e professor do Laboratório de IA e Educação Digital do Colégio MOPI.
“A lei da IA precisa endereçar a capacitação da força de trabalho e não só os riscos. Os jovens já estão tendo dificuldades para encontrar posições no mercado. Esses números aparecem em pesquisas nos EUA, mostrando declínio na contratação de jovens em áreas que são expostas a IA. ”
Ronaldo Lemos, advogado e cofundador e cientista-chefe do ITS Rio, em entrevista ao CBN Notícias

Imagem gerada com IA no Google Nano Banana. Ilustração em pixel art sobre fundo roxo. No centro, um robô de capelo segura uma maleta, ladeado por duas mãos robóticas, sob um cérebro metade laranja e metade circuito verde com a sigla “IA”; logo abaixo, um robô sentado lê um livro aberto e segura um pincel, com um pequeno broto verde à frente. Nos quatro cantos há um celular com coração, um escudo com cadeado, um livro aberto com medalha e uma lousa verde com balão de fala, e grupos de robôs sorridentes aparecem dos dois lados.
Cresci vendo o chamado sonho americano se materializar como se fosse um paraíso perdido empacotado pra viagem. Das telas do cinema para as intermináveis filas de emissão de vistos e passaportes. A ideia de arrumar as malas, atravessar fronteiras e construir a vida no ritmo do American Way of Life moveu gerações. Tenho muitos amigos que foram morar fora do Brasil. E tudo certo.
O que mudou agora foi a porta de entrada deste sonho: o primeiro emprego. Um estudo recente do Stanford Digital Economy Lab mostra que o emprego de trabalhadores com idade entre 22 e 25 anos nas ocupações mais expostas à IA generativa está hoje 19% abaixo do que estaria se tivesse acompanhado o dos colegas menos expostos.
Fui buscar este dado depois de uma entrevista que ouvi do Ronaldo Lemos na rádio CBN. O que mais me impressionou é que esta queda vem menos das demissões e mais das contratações, que simplesmente deixaram de acontecer, pelo menos, em uma certa perspectiva. Ronaldo comenta sobre os casos dos escritórios de Direito que hoje pensam duas vezes se contratam um estagiário que pode levar até dois anos para se tornar um associado da firma ou se entregam a tarefa a tokens de um modelo de IA generativa para a função.
Esse tabuleiro geopolítico está balançando algumas destas peças que hoje movem a indústria. Funções antes que se concentravam em alguns países viraram globais e, com elas, mudanças de cultura, conflitos entre gerações e a transformação digital. Percebo isso tudo no dia a dia. Com estudantes no laboratório de IA e educação digital na escola e com adultos que, assim como eu, voltaram a estudar: todos sentimos que o mundo do trabalho foi reescrito, mas poucos sabem por onde recomeçar.
No Brasil, dados do IBGE mostram o desemprego entre os jovens na casa dos 11% a 12%, praticamente o dobro da média nacional, que oscila perto dos 6%. Isso significa que, curiosamente, algumas portas estão se fechando com o avanço tecnológico e outras com a lentidão em qualificar equipes para o universo digital.
Tem uma frase que repito em palestras e eventos: não é a IA que vai pegar o seu emprego, é alguém que pode estar do seu lado que aprendeu a usá-la melhor que você. E aconteceu comigo. Sou jornalista de formação e me reinventei na fronteira entre educação, mídia e tecnologia, estudando IA e dados quando já tinha estrada na profissão.
Existe hoje um vácuo no meio do caminho. De um lado um grupo de especialistas e profissionais com tração em tecnologia. Do outro, uma enxurrada de trends sobre IA nas redes sociais, que empolgam, mas não formam.
É nessa interseção, que uma parcela da população ávida por conhecimento e meio esquecida pelo mercado, que a Pupa atua. São três frentes: PUPA EDU, que forma pessoas e famílias com educação digital; PUPA MAX, que leva IA aplicada para equipes e empresas; e a PUPA LAB, que transforma tudo isso em experiências imersivas sobre cultura digital.
Vamos juntos! Espero vocês a partir do dia 3 de setembro. Inscrições abertas!
🔗Fonte: Curso IA no dia a dia, Jornal da CBN e Stanford Edu

#1 — Pupa lança novo curso livre de IA aplicada para jovens e adultos. Inscrições abertas até 2 de setembro
Programa contará com sessões online ao vivo pelo Youtube, materiais de apoio para consulta assíncrona e foco em práticas para primeiros passos com a tecnologia.
🔗Fonte: Sympla

#2 — Pesquisa do Instituto Alana sobre adolescentes e telas revela desejos dos jovens por melhoria da internet
Levantamento ouviu adolescentes de 13 a 17 anos sobre ecossistema digital e metade afirma passar mais tempo online do que deveria.
🔗Fonte: Jornal do Commercio, Instituto Alana e Criativos da Escola

#3 — ANPD suspende lives no Discord até empresa comprovar proteções com base no ECA Digital
Dados da SaferNet mostram que entre janeiro e julho de 2026 denúncias envolvendo Discord aumentaram 54% com casos de assédio, indução à automutilação e suicídios.
🔗Fonte: G1

#4 — Anthropic se adapta à legislação europeia e lança marca d’água para conteúdo gerado pelo Claude
Medida vale para modelos lançados na UE a partir de 2 de agosto e será ampliada também para toda linha dos produtos Claude e plataformas de nuvens de parceiros.
🔗Fonte: UOL e Canaltech

#5 — Pesquisador Paulo Blikstein é o convidado do próximo Roda Viva sobre educação e tecnologia
Diretor do Centro Lemann para Estudos Brasileiros avalia os impactos da IA nas práticas de ensino e aprendizagem, além das transformações na educação de crianças.
🔗Fonte: Cultura

DICA DE LEITURA 📚
Livro: Tecnologias da invenção: inteligência artificial, criatividade e arte
Autoras: Dora Kaufman e Giselle Beiguelman
Editora: Autêntica
Ano: 2026
E tem lançamento novo nesta semana. Aqui no Rio de Janeiro estarei no Shopping Leblon na próxima quarta, 19. Recebi o convite da professora Dora Kaufman e já confirmei presença. Na coluna desta semana da revista Época Negócios, Dora alerta sobre os riscos da especulação sobre um futuro, não muito distante, em que a inteligência da máquina alcança ou até supera a inteligência humana. No livro as autoras recusam uma abordagem simplista sobre o assunto. Se por um lado, visões mais ingênuas tratam a tecnologia como atalho mágico, por outro, tem gente que prevê a catástrofe, e a vê como o fim da autoria humana. Vale leitura! Elas percorrem a história do conceito de criatividade, da psicologia à neurociência, e leem as realizações com IA à luz da filosofia da tecnologia e da história da arte.

Capa de Tecnologias da Invenção: inteligência artificial, criatividade e arte, de Dora Kaufman e Giselle Beiguelman (Autêntica, 2026). O título em vermelho sobre fundo branco convive com uma composição abstrata de linhas, círculos e pontos que lembra um diagrama algorítmico em expansão.

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