Pesquisa da Fundação Telefônica Vivo, Brasscom e Instituto Locomotiva revela competências para acesso e permanência no mercado de Tecnologias da Informação e Comunicação
Foto: Brasscom Tecforum
Oi pessoal, boa semana e boa leitura!
Por José Brito, jornalista e fundador da Pupa Educação Digital.
“É possível treinar habilidades técnicas e comportamentais quando oferecemos educação de qualidade desde a base, conectando o currículo à realidade digital e às demandas do mercado.”
Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo

Imagem gerada por IA com Gemini
Estive com Lia Glaz recentemente em um jantar oferecido em São Paulo pela Fundação Telefônica Vivo durante a realização do 9º Congresso Internacional da JEDUCA, a Associação dos Jornalistas de Educação. A Fundação Telefônica Vivo é parceira do congresso e apoia a formação de jornalistas em educação desde a criação da associação, em 2016.
Durante o bate-papo que precedia o evento na área reservada do restaurante Cantaloup, no Itaim Bibi, estavam também Renata Cafardo, repórter do Estadão e presidente da Jeduca; Priscila Cruz, presidente do movimento Todos pela Educação e agora também conselheira da FTV; além de outros membros da diretoria da Jeduca, como Antônio Gois, colunista de Educação do Jornal O Globo e Tatiana Klix, repórter do Porvir. Entre um canapé de salmão defumado e burrata de parma com pesto de manjericão, compartilhávamos desventuras das nossas infâncias na busca por algum bálsamo capaz de trazer frescor nesta árdua e resiliente rotina de pai, mãe ou responsável por crianças e adolescentes da era tiktokiana.
Surpresos com algumas revelações da geração deseducada nos anos 1980, – quem viveu saberá do que estou falando, percebemos que o que nos unia era a tentativa de compreender o óbvio: não importa a época em que você vive, os adolescentes sempre ditaram algumas das principais tendências sociais ao seu redor, afinal, eles convivem com a transição cultural e tecnológica do seu tempo, desafiam a lógica com a subversão de valores antes considerados padrões na existência social. No entanto, esta turma da resenha agora convive também com o tribunal da internet, com a quantidade imensa de informação que circula por aplicativos de mensagem, pelo tempo que passam em suas relações com telas nas mais diversas circunstâncias, pela perseguição por alguma motivação ou propósito de vida e, claro, por algum senso de responsabilidade para fazer escolhas, promover diálogos e encontrar algo que faça sentido em suas vidas.
O fato é que, seja pela razão, pela emoção ou, simplesmente, pela curiosidade, o aprimoramento destas vivências com ferramentas digitais está cada vez mais conectado com o mundo real dos jovens do nosso tempo. Conta uma novidade?! O desafio agora é conectar o currículo do que eles aprendem na escola com as demandas do mundo do trabalho, ouvindo o jovem e quem está sentindo na pele as mudanças no status quo do rolê nosso de cada dia. A diferença é que na nossa época esta correlação escola-trabalho já existia. O problema é que tá tudo muito mais acelerado com a IA e a velocidade para amadurecimento das ferramentas não caminha lado a lado com os avanços na legislação e cuidados com os desafios socioculturais para uso das mesmas. E é isso que a pesquisa encomendada pela Fundação Telefônica Vivo em parceria com a Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais, com execução do Instituto Locomotiva, mostra.
O estudo “Prospecção de Vagas de Entrada no Macrossetor TIC”, lançado no Brasscom TecFórum Educação em Emprego, revela que 82% das empresas de TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) estão dispostas a contratar nos próximos dois anos. Destas, 34% projetam crescimento significativo e 48% esperam expansão moderada. Entre os profissionais mais desejados estão os com habilidades conhecidas como soft skills. Alguns exemplos comportamentais que podem constar nesta nova minibio estão: vontade de aprender, resolução de problemas, trabalho em equipe e proatividade. Estas características já despontam como um diferencial em um mercado de trabalho de olho em competências digitais para além do conhecimento em IA, programação, computação em nuvem e segurança cibernética.
Foi assim que Yasmin Namie, jovem aprendiz e estudante de Ciências de Dados do ensino médio técnico da cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, conseguiu aproveitar uma chance na transição entre a escola e o primeiro emprego. Ela representou a Escola Estadual Professor João Magiano Pinto, e participou da Jornada Tech – Inteligência Artificial & Dados, ação conjunta entre a Seduc-MS e a Fundação Telefônica Vivo. “Consegui meu primeiro emprego e pude colocar em prática coisas que aprendo na escola. Eu faço Ciências de Dados, e aplico competências técnicas em desafios reais do mercado”. Hoje Yasmim trabalha na prefeitura local como profissional de dados e apoia o governo local com gestão técnica de indicadores de políticas públicas.
Duas mulheres, dois destinos. Duas histórias que se conectam com o acesso à educação de qualidade e que seguem de mãos dadas com o mundo real, conectando oportunidades para uma transição cultural e tecnológica que bate à nossa porta todos os dias. Por falar nisso, tô indo ali levar minha filha pra escola e já volto.
Boa leitura!

#01 Saiba quais habilidades para entrar no setor de TIC nos próximos dois anos
Link: [Fundação Telefônica Vivo]
#02 Agência France Press abre inscrições para curso online gratuito de combate à desinformação e o fenômeno climático
Link: [Google Forms]
#03 China lança diretrizes para ensino de IA em currículo da educação básica. Destaque para formação crítica e trabalho
Link: [Exame] Foto: Adek Berry/Getty Images
#04 O código e a nova demanda dos programadores de IA por um espaço ao sol no mercado de tecnologia
Link: [O Globo] Foto: Maria Isabel Oliveira
#05 Pesquisadora cruza dados para marcos de referência de IA com metodologias da UNESCO e OCDE
Link: [LinkedIn] Daniela Lyra, Designer de Experiências Educacionais
DICA DE LEITURA »
“Oi, amor, já estou chegando. Já estou pertinho. Acho que em uns dez minutinhos tô na área.” Me lembrei desta frase na semana passada, quando perdemos Luis Fernando Veríssimo. Costumo utilizá-la com uma certa frequência. Não por menos. Não me considero um mentiroso contumaz. Acontece que a ansiedade de chegar a qualquer lugar logo me faz, por vezes, teletransportar meu pensamento para acalmar corações alheios. Pura mentira. Pronto. Outra confissão. Difícil a vida de quem quer de forma franca e respeitosa indicar uma literatura a um leitor ou leitora amiga.
Pois bem. Fiquei sentido com a partida de Veríssimo. Muitas vezes me pego relembrando a vida pós adolescência, com aquelas referências banais do cotidiano na TV Globo, quando outro Luis Fernando, o Guimarães, estrelava com grande elenco a Comédia da Vida Privada, adaptação de uma das obras que marcaram a trajetória do grande escritor gaúcho e pulverizaram com humor toda uma geração. Veríssimo, como muitos de nós, era amante das coisas simples, das crônicas do cotidiano, das angústias de uma tarde de domingo nas arquibancadas do Beira Rio, ou nas angústias de uma relação caótica entre famílias plurais quando o sofrimento adentrava rotinas de brasileiros de todas as regiões.
Fica a homenagem, sim, verdadeira, de uma obra que nos ensina pelo erro. Como a ciência. Como as relações mais mundanas. Como a vida. Sim. Como ela é ou deveria ser a partir de agora, menos iluminada, mas com alguns dos mesmos percalços identificados na observação de Veríssimo em tantas vezes, ou poucas e memoráveis, vezes que nos trouxeram até aqui e que nos levarão adiante.
Fique em paz, mestre! Até logo!
» As mentiras que os homens contam
Autor: Luis Fernando Veríssimo
Editora: Objetiva
Ano: 2015

Até a semana que vem! 😉

EN