Uso de IA ganha tração em diferentes rotinas, mas escalada de golpes cibernéticos, cenário geopolítico e lacunas de aprendizagem ainda demarcam fronteiras para avanços no ambiente digital.
Por José Brito, jornalista e fundador da Pupa Educação Digital.
“À medida que a IA ganha relevância em diferentes esferas da vida cotidiana, a desigualdade na apropriação dessa ferramenta entre os diferentes estratos de renda e escolaridade torna-se um elemento que chama a atenção.”
Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br
Oi gente! Passadas algumas semanas aceleradas no final do ano somadas a uns dias de férias com a família, retorno aqui com o Radar Pupa e as dicas de educação e cultura digital para 2026. E o ano promete!
Recentemente tive a sensação de que várias peças importantes do quebra-cabeça da cultura digital no Brasil começaram a se encaixar com um pouco mais de clareza. Por isso, divido aqui com vocês algumas das minhas percepções sobre a nova lei brasileira para proteção de crianças e adolescentes na internet, dados inéditos sobre quem realmente está usando IA generativa no país, alertas sobre cibercrimes, guias para redes de proteção digital e, claro, não poderíamos esquecer das disputas bilionárias pelos recursos naturais e o futuro das plataformas de mídia e streaming.
2026 tem tudo para ser um ano de virada comportamental e de entrega de mais serviços em educação digital. A questão passa a ser cada vez mais sobre o “como” estamos usando do que “se” e ‘“onde” estamos usando esta ou aquela ferramenta de inteligência artificial em ambientes conectados no dia-a-dia. E mais do que isso, com quais critérios e com que prioridades. Fica aqui o alerta de Alexandre Barbosa, Gerente do Cetic br, que faz um alerta após a recente publicação da Pesquisa TIC Domicílios 2025, com destaque para o uso de IA generativa entre as pessoas mais escolarizadas e com maior renda.
Sigo por aqui tentando equilibrar minhas rotinas com o propósito de formar pessoas para uso da tecnologias com mais segurança, conhecimento técnico, inovação e responsabilidade, sem achar que tudo se resolve, claro, com qualquer novidade ou tutorial de moda, ou ainda com um app ou prompt milagroso. Vamos em frente!
Nesta edição, organizei cinco casos que nos ajudam a entender por onde esse debate está passando, da sala de aula à sala de estar, da delegacia de crimes cibernéticos às reuniões de conselho do mundo corporativo. Do meu celular para o seu, em modo avião ou com alguns necessários filtros de navegação.
Boa leitura.

Imagem gerada com IA

#1 Pesquisa TIC Domicílios 2025 revela que 1 em cada 4 brasileiros já utilizam alguma ferramenta de IA
50 milhões de brasileiros já usaram alguma ferramenta de IA generativa. No entanto, acesso varia de acordo com nível de escolaridade.
Fonte: Cetic.br/NIC.br

#2 Guia com prompts para ir além do “copia e cola” na escola e nas empresas
Recebi este E-Book gratuito do professor Raphael Hardy Fioravanti com orientações sobre objetivo, público, metodologia, avaliação, desafios e contexto para uso de IA.
Fonte: Guia de Prompts by Fioravanti

#3 Número de casos de crimes cibernéticos salta 200% no Brasil e traz novos desafios para equipes de segurança digital e famílias
Especialistas reforçam necessidade de educação midiática e cultura de proteção de dados em escolas e empresas para combate aos riscos do ambiente digital.
Fonte: O Globo

#4 O que esperar dos novos encaminhamentos para o ECA Digital na regulação e proteção de crianças no acesso à internet?
Relatório “Redes de Proteção”, produzido pelo ITS Rio em parceria com Redes Cordiais, aponta novos cuidados para famílias no monitoramento online.
Fonte: Instituto Tecnologia e Sociedade

#5 Meu streaming favorito e as mudanças no catálogo com a disputa entre gigantes do entretenimento no tabuleiro global
Conselho da Warner Bros. Discovery recomenda rejeição da oferta de aquisição feita pela Paramount/Skydance e reitera apoio ao acordo em negociação com a Netflix.
Fonte: Financial News

DICA DE LEITURA » 📚
E como não falar de geopolítica nos tempos modernos? Parece que foi ontem que eu assistia a Sessão da Tarde na TV com aqueles helicópteros do filme “Comando Delta”, estrelado pelo Chuck Norris, nos idos de 1986, invadindo territórios alheios para triunfar como herói de guerra no Vietnã ou resgatar passageiros de voos sequestrados no Oriente Médio com o coronel Braddock.
Pano rápido e corta para Caracas 2026 e as desventuras do governo de Donald Trump com a captura do ditador Nicolas Maduro na América Latina. Entre sobrevoos rasantes em madrugadas frias, qualquer semelhança com a disputa pelo discurso da segurança regional, a lei e a ordem, ou ainda pelos negócios que envolvem a produção de petróleo e o controle de territórios não são mera coincidência.
No livro selecionado nesta semana, David Grann reconstrói a história dos assassinatos em série contra o povo indígena Osage, nos Estados Unidos dos anos 1920, quando a descoberta de petróleo em suas terras transformou a comunidade em alvo de fraudes, conluios, envenenamentos e violência sistemática. O caso marcou a primeira grande investigação de homicídios do FBI e escancarou a relação entre racismo, exploração econômica e captura de instituições.
A leitura ganha uma camada ainda mais atual quando olhamos para o noticiário recente sobre a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, e para as análises que apontam o petróleo como um dos principais interesses estratégicos por trás da ação. Mais de um século separa a violência contra os Osage das disputas contemporâneas em torno das reservas venezuelanas.
Assassinos da Lua das Flores nos permite discutir como o acesso à informação, geopolítica e interesses econômicos se entrelaçam, sobretudo quando falamos em disputas territoriais que assolam a humanidade desde as descobertas de recursos naturais, necessários para gerar energia ou produzir chips para IA. Trazer esse livro para o Radar Pupa representa pra mim um convite para conectarmos educação digital, leitura crítica de mídia e geopolítica. Assuntos que adoro. E entender melhor o que está por trás de certos discursos sobre segurança, tecnologia e progresso.
» ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES
Autor: David Grann
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2018


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