Laura Mattos, da Folha de S. Paulo, conversou com representantes das três universidades paulistas em busca de estratégias para evitar perdas acadêmicas com tecnologia
Por José Brito, jornalista, fundador da Pupa Educação Digital e professor do Laboratório de IA do Colégio MOPI, no Rio de Janeiro
“A regra geral é transparência. E no rigor acadêmico não basta você dizer: Ah, eu usei IA. Você tem que falar em que momento, de que maneira, qual ferramenta, qual modelo, qual versão, inclusive, reproduzir os prompts.”
Laura Mattos, repórter especial da Folha de S. Paulo, em chamada no Youtube

Imagem gerada por IA com Gemini. [Ilustração em pixel art com mesa, monitor, documentos e robôs em contexto acadêmico, representando protocolos e regras para uso de IA no ensino superior.]
Quando três das mais importantes universidade brasileiras se juntam para debater diretrizes e protocolos sobre ritos acadêmicos é sinal de que alguma coisa está fora da ordem. Possivelmente, fora de alguma nova ordem entre o real e o artificial.
A canção do mestre Caetano foi escrita nos idos dos anos 1990, e nos remete a um caldeirão cultural efervescente atropelado por padrões de consumo, mídia, geopolítica e tecnologia. O Brasil tentava a duras penas dialogar com a trend daquele novo ambiente globalizado, neoliberal, que surgia no horizonte pós-Guerra Fria.
Poucas décadas depois, cá estamos nós de novo, simples mortais, debatendo o estado da arte entre as conquistas tecnológicas, o que se entende por padrão de modernidade, consumo, justiça climática e, mais do que isso, tentando algum equilíbrio no que restou do tecido social esgarçado pelo colapso dos conflitos contemporâneos e nossas angústias mundanas, estreitamente relacionadas às escolhas éticas de cada dia.
Escolhas sobre ética. Tarefa complexa, hein? Cada um aqui pode prestar um minuto de silêncio em homenagem a sua própria consciência. Levante a mão quem está conseguindo atravessar com plenitude e tranquilidade essa tal estrada virtual esburacada com o uso da Inteligência Artificial em casa, no trabalho, na escola ou logo ali, perto de algum aplicativo com novas funções assistidas no smartphone.
Na reportagem para a Folha de S. Paulo, Mattos explora alguns achados das entrevistas com representantes de departamentos acadêmicos da USP, Unesp e Unicamp. Dos detectores de aplicativos com IA ao retorno dos trabalhos orais e apresentações na frente da turma para verificação de autoria entre criadores e criaturas. Não julgo. Afinal, tentar criar regras para uso das tecnologias com IA é quase que uma mistura de terapia de casal com a responsabilidade da função Admin dos grupos de Whatsapp. Precisamos de sinceridade, clareza e um pouquinho de boa fé.
Percebo que estamos diante de um novo momento de ruptura em que o meio pode, mais uma vez, ser a mensagem. E talvez esteja justamente aí o nosso trabalho de base neste tempo fora da ordem. Assumir mais responsabilidade pelo que publicamos, compartilhamos, pesquisamos e, principalmente, assinamos.
Transparência, antes de tudo, é um compromisso ético com a informação.
Boa leitura!

#1 Protocolos para uso de IA escancaram estratégias acadêmicas para evitar perdas na aprendizagem em universidades paulistas
Do detector de IA ao retorno das provas orais com trabalhos em sala de aula. Saiba na reportagem de Laura Mattos os caminhos docentes para mediar uso de ferramentas
Fonte: Canal da Folha de S. Paulo no Youtube + Folha Press via Blog do Pedlowski

#2 Abertas até 16 de março inscrições de projetos sobre promoção e uso crítico de mídias no Mapa Brasileiro da Educação Midiática
Iniciativas podem ser registradas por formulário online da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, em parceria com Governo do Reino Unido e PORVIR
Fonte: Gov.br/secom + Formulário para inscrições aqui

#3 Adoção de IA generativa sobe no Brasil, mas ainda enfrenta grande lacuna quando comparada ao cenário do Norte Global
Uma em cada seis pessoas no mundo já está usando IA para aprender, trabalhar ou resolver problemas. Crescimento brasileiro aponta tendência regional de expansão
Fonte: Global AI Adoption in 2025 by Microsoft

#4 Práticas criminosas no Roblox e trend de incitação à violência de gênero no Tik Tok mobilizam entidades pela segurança online
No Rio de Janeiro, homem é preso por promover crimes em baile funk de jogo virtual. Autores de vídeos da trend “caso ela diga não” também podem ser indiciados
Fonte: G1 + UOL

#5 Debate sobre proibição de redes sociais antes dos 16 anos ganha tração no Brasil. Confira artigo de Claudia Costin e Rafael Parente
Reflexão aponta necessidade de integração da educação midiática ao currículo para melhor entendimento dos mecanismos digitais que disputam atenção de adolescentes
Fonte: LinkedIn + G1

DICA DE LEITURA » 📚
Urgente e necessária. Simples assim. Os relatos da jornalista Ana Paula Araújo em seu livro-reportagem representam um manifesto para toda a sociedade. Neste mês de março, a luta pelos direitos das mulheres é um ato político, social e pedagógico.
Precisamos lembrar dos números que invadem os noticiários e destroem lares para erradicar essa doença que é a cultura do estupro, e avançarmos mais rápido para uma educação para igualdade de gênero. Leia para um menino.
» ABUSO, A CULTURA DO ESTUPRO NO BRASIL
Autora: Ana Paula Araújo
Editora: Globo Livros
Ano: 2020


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